é um filme inspirado na história real e narra o trágico percurso de José Carlos da Mata Machado, líder do movimento estudantil brasileiro, morto nos porões da ditadura militar aos 27 anos de idade.
Tendo como cenário o rico e conturbado painel social, político e cultural das décadas de 60 e 70, o filme põe em paralelo as lutas de Zé na clandestinidade e a luta de seu pai, o jurista e professor de direito Edgar da Mata Machado, pelo retorno à legalidade e democracia no Brasil.
Nesta carta, Zé expressa sua opção pela clandestinidade. A ditadura vive seu momento de maior repressão. Torna-se José Cícero Teixeira, de Mossoró, Rio Grande do Norte. Reintegra-se ao grupo da esquerda católica Ação Popular, como membro ativo, redigindo e distribuindo documentos, infiltrando-se em fábricas para lutar por condições mais justas de trabalho.
Casa-se com a companheira Bete, também clandestina, a quem conhece com um bebê recém-nascido no colo. Zé e Bete tinham pouco mais de 20 anos quando chegaram em Fortaleza com Dudu, duas malas e muitos sonhos. O trabalho deles era reconstituir a Ação Popular no Nordeste.
A partir daí Zé se lança numa sucessão de lutas e fatalidades. No Ceará conviveu com o Brasil que a ditadura militar tentava esconder da opinião pública. Sofreu na própria pele, junto com sua mulher e os dois filhos, as conseqüências do abandono, descaso, miséria e fome.
Mas seria de dentro da família que viria a traição.
Em 1973 a AP foi praticamente desarticulada pela brutal repressão desencadeada pela infiltração do ex-militante Gilberto Prata, irmão de Bete, e que levou às mortes de Zé, Gildo Lacerda e aos desaparecimentos de Paulo Stuart Wright, Honestino Guimarães, Humberto Câmara, Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira e Eduardo Collier, além da prisão de militantes e simpatizantes em vários estados do país.
Zé foi morto sob tortura em 28 de outubro de 1973, numa cela em Recife. Reconhecido por estudantes de Medicina da Universidade Livre da Ilha do Leite, Zé tentou passar um último recado: “Companheiro, eu sou José Carlos da Mata Machado, da Ação Popular Marxista-Leninista. Se você puder, se tiver oportunidade, diga aos companheiros que eu não abri nada.”
narra um dos casos mais misteriosos da época da ditadura militar no Brasil. Durante mais de 20 anos a queda e desaparecimento de tantos militantes da Ação Popular no final de 1973 foi um grande mistério para os órgãos de direitos humanos. Mistério só esclarecido quando, 20 anos depois, Gilberto Prata, cunhado de Zé, confessou, numa crise de consciência, ter colaborado com o exército. “Foi por medo e covardia”, disse ele ao Grupo Tortura Nunca Mais, e completou: “Mas o importante agora é que a verdade seja dita”.
Roteiro de Rafael Conde,
com a colaboração de Anna Flávia Dias Salles,
baseado em pesquisa e livro de Samarone Lima.